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Charge adulterada viraliza nas redes para culpar usuários de drogas por violência

Por Luiz Fernando Menezes

23 de setembro de 2019, 16h30


Os diálogos presentes em uma charge que critica o assassinato de jovens negros no Brasil foram adulterados e circulam nas redes sociais em publicações que atacam o ator Fábio Assunção, que esteve presente no domingo (22) no velório de Ágatha Félix, morta com um tiro nas costas no Complexo do Alemão (RJ). Vencedora do prêmio Vladimir Herzog de 2018, a charge tem sido compartilhada com as falas entre as personagens editadas, de modo a dar a entender que a violência no Brasil é causada por usuários de drogas, que financiam o tráfico (veja aqui). Uma das versões cita diretamente o nome do ator (veja aqui).

Fábio Assunção, que fala abertamente sobre sua condição de dependente químico, publicou em seu Twitter no sábado a charge original. A ilustração do chargista Brum foi publicada inicialmente na Tribuna do Norte em dezembro de 2017, e acompanhava uma reportagem sobre o Rio Grande do Norte ter ficado na primeira posição entre os estados no Índice de Vulnerabilidade Juvenil.

As charges com os diálogos adulterados foram enviadas por leitores do Aos Fatos no WhatsApp como sugestão de checagem (inscreva-se aqui). Postagens semelhantes no Facebook também foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de monitoramento da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Uma charge do artista Brum que venceu o prêmio Vladimir Herzog de 2018 tem sido compartilhada nas redes sociais com as falas das personagens adulteradas como forma de atacar o ator Fábio Assunção. O texto original da charge faz uma crítica ao assassinato de jovens negros no Brasil. Nas versões adulteradas, o diálogo passa a atribuir a usuários de drogas a causa da violência no país.

Fábio Assunção publicou no último sábado (21) a versão original da charge, em referência ao assassinato de Ágatha Félix, morta na sexta-feira (20) com um tiro nas costas no Complexo do Alemão (RJ). No domingo (22), o ator compareceu a um ato em protesto pela morte da menina e esteve presente em seu velório. Desde então, as charges com as falas adulteradas têm sido difundidas.

Aos Fatos entrou em contato com Brum, que, por mensagem, disse que a adulteração é uma “covardia”. “A pessoa pega um trabalho seu, altera para que o mesmo passe outra ideia, sempre oposta ao que você fez, e a publica, deixando inclusive a sua assinatura, para num ato covarde dizer que quem fez aquilo ali foi você”, afirmou o chargista.

Segundo ele, a charge original foi publicada em 2017, mas sempre volta para denunciar o assassinato de jovens negros no país. “Sempre que for necessário, que ela volte a circular pelas redes sociais para denunciar esse tipo de coisa. Essa é a função da charge. Para isso ela foi feita. Mas tenham a certeza que, enquanto ser humano, eu torço pra que nossa sociedade mude e esse tipo de coisa não precise mais ser denunciada.”

Vencedora do prêmio Vladimir Herzog em 2018 na categoria Arte, a charge foi veiculada na Tribuna do Norte no dia 12 de dezembro de 2017 e acompanhava uma reportagem que afirmava que, no Rio Grande do Norte, o risco relativo de uma jovem negra ser assassinada era maior em comparação a uma branca. A fonte dos dados era o Índice de Vulnerabilidade Juvenil 2017, publicado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

O caso. Ágatha Vitória Sales Félix, de oito anos, morreu após ser baleada no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, na última sexta-feira (20). Segundo os moradores da região, os PMs atiravam em uma moto que passava pelo local e atingiram a kombi onde estava a menina.

A PM afirmou, no sábado (21), que não havia indicativos “de participação do policial militar no episódio” até aquele momento. Os investigadores da Polícia Civil irão recolher as armas dos PMs para fazer um confronto balístico e vão realizar uma reconstituição do caso. Também foi aberto um procedimento na corregedoria da PMERJ para verificar a atuação dos policiais na morte de Ágatha.

Referências:

1. O Globo
2. G1 (Fontes 1, 2, 3 e 4)
3. Prêmio Vladimir Herzog
4. Tribuna do Norte (Fontes 1 e 2)
5. Fórum Brasileiro de Segurança Pública