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Bolsonaro amplifica difusão de imagens fora de contexto de caça a baleias para atacar a Noruega

Por Luiz Fernando Menezes

19 de agosto de 2019, 13h29


A reação do presidente Jair Bolsonaro após a Noruega anunciar que vai bloquear suas contribuições para o Fundo Amazônia motivou uma sequência de publicações falsas sobre o país. Desde quinta-feira (15), quando o presidente afirmou que o país mata baleias e não tem nada a oferecer ao Brasil, imagens de um evento de caça a baleias nas Ilhas Faroe, território autônomo da Dinamarca, têm sido compartilhadas como se fossem da Noruega (veja aqui).

Se na última sexta-feira (16), as imagens já tinham sido compartilhadas mais de 3.000 vezes no Facebook, no domingo (18) a desinformação ganhou ainda mais tração após o próprio presidente publicar as imagens em suas redes sociais. Só o tweet do presidente já foi compartilhado 8.000 vezes e apresenta mais de 37 mil curtidas nesta segunda-feira (19). Na conta oficial de Bolsonaro no Facebook, a desinformação tem quase 60 mil reações e 25 mil compartilhamentos.

As versões das publicações com as imagens descontextualizadas publicadas por perfis pessoais e páginas no Facebook ganharam ainda mais difusão e foram compartilhadas 72 mil vezes na rede social até a tarde desta segunda. Todas elas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação da rede social (saiba como funciona).


FALSO

Na última quinta-feira (15), ao falar sobre o corte dos repasses do Fundo Amazônia pela Noruega, Jair Bolsonaro disse: “A Noruega não é aquela que mata baleia lá em cima, no Polo Norte, não?”. Logo depois, passaram a circular nas redes duas fotos de diversas baleias mortas em uma praia como se ilustrassem a caça realizada no país nórdico. As imagens, no entanto, não são da Noruega, mas das Ilhas Faroe, território da Dinamarca, durante o “grindadráp”, evento de caça a baleias que é tradição centenária do arquipélago durante o verão.

Uma das fotos utilizadas pelas publicações nas redes foi tirada em uma das caçadas realizadas em junho de 2012, por Andrija Ilic, da Reuters. Outra imagem, que foi registrada em outubro de 2004, é de autoria do fotógrafo Jan Egil Kristiansen. As duas retratam o “grindadráp”.

No domingo (18), Bolsonaro voltou a falar sobre a Noruega e compartilhou um vídeo do grindadráp também como se retratasse a caça de baleias no país. Nesta segunda-feira, a publicação do presidente tinha sido compartilhada 8.000 vezes e tinha mais de 37 mil curtidas no Twitter. Na conta oficial de Bolsonaro no Facebook, a peça registrava 60 mil reações e 25 mil compartilhamentos até o início da tarde.

As imagens publicadas pelo presidente foram gravadas pela ONG Sea Shepherd e mostram uma das matanças nas Ilhas Faroe em 2018. Naquela ocasião, 135 baleias foram mortas.

Caça às baleias na Noruega. Apesar de não ter relação com as imagens divulgadas, a Noruega também permite a caça comercial a baleias, ainda que apenas da raça minke.

Além disso, o país estabelece uma cota baseada no IWC (International Whale Comission) para garantir o que considera uma caça sustentável. O número de baleias mortas durante as caçadas também vem diminuindo nos últimos anos. Em 2014, 736 baleias foram mortas. Em 2015, o número baixou para 660. Em 2016 foi para 591 baleias e, por fim, em 2017, foram contabilizadas 432.

Vale ressaltar que a IWC classifica a caça comercial de baleias como uma atividade desumana, uma vez que não proporciona uma morte sem dor, estresse ou sofrimento.

O Aos Fatos entrou em contato com o Palácio do Planalto para que pudesse se manifestar sobre o conteúdo publicado, mas ainda não obteve resposta.

A Agência Lupa e o Boatos.org também checaram as imagens.

Referências:

1. Planalto
2. UOL
3. Folha de S.Paulo
4. Reuters
5. Observers
6. BBC Brasil
7. IWC (Fontes 1 e 2)