Aos Fatos

Artigo com críticas a professores da rede pública não foi escrito por João Amoêdo

31 de agosto de 2018, 17h30


Não é de autoria de João Amoêdo, presidenciável pelo Partido Novo, um artigo que traz críticas aos professores da rede pública, como sustenta imagem que circula nas redes sociais. O texto, na verdade, é de André Capella, filiado ao partido, informação que foi omitida no viral. Amoêdo afirmou repudiar as opiniões contidas no artigo, cuja cópia é possível ver aqui.

Enviado por um leitor do Aos Fatos via WhatsApp (saiba como participar), este conteúdo foi verificado pelo Comprova, coalizão de veículos de imprensa brasileiros do qual Aos Fatos é parceiro institucional. As informações checadas foram confirmadas pela equipe do Aos Fatos, que classificou a imagem com o selo DISTORCIDO.

Leia abaixo, em detalhes, o que foi checado.


DISTORCIDO

Todos os professores precisam saber o que o plano de governo do Amoêdo diz sobre eles!

O material que circula no WhatsApp e nas redes sociais com críticas aos professores da rede pública atribuídas ao candidato a presidente João Amoêdo é enganoso. O autor do artigo é, na verdade, André Capella, filiado ao partido mesmo partido do postulante ao Palácio do Planalto. A informação sobre o verdadeiro autor, entretanto, é omitida no viral.

No texto intitulado “Como ter um ensino básico de qualidade no Brasil?”, Capella diz que “a educação pública básica brasileira encontra-se em situação de falência em decorrência de um sistema de ensino que oferece muitos direitos aos professores em detrimento do direito de aprender do aluno”. Ele também critica o fato de os professores da rede pública gozarem de estabilidade no emprego.

No artigo, Capella usa esta argumentação para propor a transferência gradativa dos alunos para as escolas privadas. “Neste caso, as Secretarias de Educação ofereceriam aos pais desses alunos um voucher (vale) educacional que lhes daria a opção de escolher uma escola particular para matricular seu filho”, diz.

Procuradas pelo projeto Comprova, as assessorias de Amoêdo e do Novo enviaram uma nota em que afirmam que as críticas aos professores não representavam a opinião do candidato e do partido. “Este foi um texto escrito por um voluntário do Novo e publicado no blog do partido, tal como diversos outros textos de opiniões pessoais, com um aviso que deixava claro que esta era a opinião pessoal e não representava as ideias do Novo. Para evitar novos desentendimentos já foi retirado do ar.”

O projeto Comprova localizou o post original do artigo usando programas que buscam conteúdos removidos da internet, como Wayback Machine e Google.

A assessoria de Amoêdo afirma que ele repudia os comentários feitos por Capella. A assessoria do Novo confirma que o artigo foi escrito por Capella e publicado em 2017. Também informa que ele é filiado ao partido, mas não tem cargo na legenda nem participação no programa de governo e na campanha do candidato.

O programa de governo de Amoêdo contém a proposta de dar bolsas em escolas particulares para alunos do ensino público, mas o Novo alega que as críticas feitas por Capella aos professores não serviram de base para que o partido viesse a adotá-la. “Esta é uma teoria amplamente discutida entre os especialistas e já aplicada em países como Chile e alguns estados americanos”, diz a assessoria do Novo.

O Comprova também localizou a publicação em páginas abertas no Facebook. Em uma delas, “Verdade sem manipulação”, posteriormente apagado, capturas de tela de trechos da publicação removida do site do Novo estão acompanhadas de uma foto de Amoêdo. A postagem, que chegou a somar mais de 15 mil compartilhamentos, ainda tinha o seguinte texto: “Todos os professores do Brasil precisam saber o que o plano de governo do Amoedo diz sobre eles!”. Após a publicação da checagem pelo Comprova, Aos Fatos verificou que a página apagou o conteúdo enganoso e postou uma errata aos leitores.

Aos Fatos é parceiro institucional do Comprova. Por meio dessa parceria, reproduz gratuitamente o conteúdo gerado pelo consórcio e presta consultoria sem contrapartida sobre tecnologia em checagem de fatos. A iniciativa é uma coalizão de 24 veículos de imprensa cujo objetivo é combater a desinformação durante as eleições presidenciais.