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Elza Fiúza/ABr

Ao lançar pré-candidatura, Marina erra números sobre investigados na Lava Jato

Por Bernardo Moura

11 de abril de 2018, 17h45


Marina Silva anunciou no último domingo (8) sua pré-candidatura à Presidência da República pela Rede Sustentabilidade. Em discurso a delegados na convenção partidária realizada em Brasília, a acreana falou sobre corrupção, segurança pública e meio ambiente — tema que foi carro-chefe de Marina nas duas campanhas presidenciais de que participou, em 2010 e em 2014.

Aos Fatos checou algumas declarações da agora pré-candidata ao Palácio do Planalto. Confira.


EXAGERADO

Quem não sente a dor de ter mais de 200 deputados e senadores investigados na Lava Jato, escondidos atrás do foro privilegiado?

Em 4 de abril do ano passado, o ministro do Supremo Tribunal Federal Edson Fachin determinou a abertura de inquéritos contra 24 senadores e 39 deputados federais a partir de denúncias oferecidas pela Procuradoria-Geral da República por conta das delações de executivos da Odebrecht.

Em dados atuais, o número de deputados investigados da 'Lista do Fachin' original passou para 42, com o retorno de Roberto Freire (PPS-SP), Bruno Araújo (PSDB-PE) e Helder Barbalho (MDB-PA) à Câmara após passagem pelo ministério do Michel Temer (MDB). Ao todo, seriam 66 os parlamentares com prerrogativa de foto em seus respectivos inquéritos instaurados no Supremo Tribunal Federal por conta de investigações da Lava Jato.

Um levantamento feito em julho do ano passado pela revista Congresso em Foco concluiu que 238 deputados e senadores da atual legislatura eram investigados no STF, mas não só por crimes relacionados à Lava Jato. A pesquisa apontou que, desse total, 34 senadores eram investigados em inquéritos originados pela força-tarefa e que 77 deputados estão indiciados por corrupção — o que inclui também casos da Lava Jato. Assim, seriam até 111 os parlamentares investigados no STF por conta da Lava Jato, segundo o Congresso em Foco.

A pré-candidata foi questionada por meio de assessoria de imprensa a respeito dos dados citados, porém, até a última atualização desta reportagem, não havia se manifestado.


IMPRECISO

... [são] sete ministros [de Temer] investigados.

As recentes mudanças na Esplanada dos Ministérios por conta das eleições deste ano fizeram cair a cinco o número de ministros do governo Michel Temer (MDB) que são investigados por corrupção. São eles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Minas e Energia), Gilberto Kassab (Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações), Aloysio Nunes (Relações Exteriores), Blairo Maggi (Agricultura).

O novo ministro da Saúde, Gilberto Occhi, foi citado em delação do operador financeiro Lúcio Funaro, ligado ao ex-deputado Eduardo Cunha, mas ainda não há inquérito aberto no STF. Occhi era presidente da Caixa Econômica Federal.


VERDADEIRO

... 30 mil jovens [são] assassinados [no Brasil] todos os anos.

O Atlas da Violência 2017, publicado pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) em junho do ano passado, aponta que 31.264 jovens de 15 a 29 anos foram assassinados no Brasil em 2015 - último dado disponível. A média de 30 mil homicídios foi verificada na pesquisa entre os anos de 2005 e 2015.