Aos Fatos

PRF não prendeu cubano e venezuelano por suspeita de terrorismo em Brumadinho

Por Luiz Fernando Menezes

28 de janeiro de 2019, 13h25


São falsas as informações de que um venezuelano e um cubano foram presos pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Minas Gerais, suspeitos de terem causado o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). De acordo com o texto que vem sendo compartilhado nas redes sociais, os dois teriam explodido a estrutura com dinamites como uma forma de retaliação.

Sem apresentar provas, a versão exposta nos posts é frágil e já foi desmentida nesta segunda-feira (28) pelos órgãos apontados no texto, a PRF e a Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

O desastre ocorreu na última sexta-feira (25), devastando parte da cidade que fica na região metropolitana de Belo Horizonte (MG). Até o momento, 60 mortes foram confirmadas. A barragem rompida era da Vale, empresa responsável também pela estrutura que cedeu em Mariana, em 2015.

A peça de desinformação, que é formada por um texto e um vídeo, vem sendo compartilhada no WhatsApp desde o final de semana. Usuários do aplicativo enviaram o conteúdo como sugestão de checagem (saiba como participar). Também foram encontradas publicações semelhantes no Facebook em páginas como Brasil país Comunista e perfis pessoais. Todas foram marcadas com o selo FALSO na ferramenta de verificação (entenda como funciona).


FALSO

Uma fonte ligada a ABIN confirmaram nessa tarde que a Polícia Rodoviária Federal deteve nessa tarde, próxima a cidade de Itaguará, cerca de 68 km de Brumadinho, um venezuelano e um cubano. (...)

Circula pelas redes sociais desde o final de semana um texto acompanhado de vídeo que sugere que o desastre da barragem de Brumadinho (MG) foi causado por terrorismo. Segundo a peça de desinformação, houve relatos de explosões de dinamite e prisões de dois sul-americanos — um venezuelano e um cubano — pela PRF (Polícia Rodoviária Federal). Os dois seriam suspeitos de promover o atentado como retaliação ao governo brasileiro por ter reconhecido Juan Guaidó como presidente da Venezuela.

A primeira informação falsa é a de que houve prisões. Segundo nota da própria PRF, não foram registradas “ocorrências envolvendo estrangeiros no estado de Minas Gerais ou quaisquer outras prisões que tenham relação com a tragédia em Brumadinho.”

A Abin (Agência Brasileira de Inteligência) também emitiu nota para desmentir o assunto. Segundo a agência, é "totalmente inverídica a informação, difundida por redes sociais e aplicativos de mensagens, sobre a ocorrência de ataque terrorista contra a barragem de Brumadinho (MG)".

Ainda que não se saiba o que causou o rompimento da barragem, não há indícios hoje de que o desastre tenha sido provocado por ato terrorista. Ao UOL, o diretor da Sociedade Brasileira de Geologia, Fábio Braz Machado, disse que uma das hipóteses para o incidente seria uma a combinação de pequenos tremores de terra que o Estado de Minas Gerais sofreu nos últimos dias a problemas na conservação das barragens.

O STF (Supremo Tribunal Federal) cobrou a apuração célere das causas do desastre “para que o Judiciário possa dar a essa população desvalida uma resposta judicial efetiva de tutela da vida humana e do meio ambiente, valores consagrados na Constituição Federal brasileira".

Como mostrado por Aos Fatos no mesmo dia do ocorrido, a barragem que se rompeu era uma estrutura de contenção de minério de ferro que estava inativa e era classificada como uma estrutura de risco baixo de rompimento nos últimos relatórios oficiais do governo federal e de nível alto de potencial de dano.

Vale ressaltar que o vídeo que acompanha o texto na corrente de Whatsapp é verdadeiro, mas não se refere ao desastre de Brumadinho. Na verdade, a peça traz o desmoronamento de parte das obras de uma usina hidrelétrica de Sinop (MT), ocorrido em outubro de 2015. Segundo o e-Farsas, o mesmo vídeo também foi utilizado para se referir ao desastre de Mariana (MG).

O Boatos.org também realizou uma checagem parecida sobre o caso.


Esta checagem foi atualizada às 16h de 28 de janeiro para acresentar a nota da Abin.