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Jan Persiel

15 maneiras de desmascarar mentiras no WhatsApp

Por Daniel Funke

29 de março de 2018, 17h00


Este manual foi produzido pela International Fact-Checking Network por ocasião do Dia Internacional do Fact-Checking, em 2 de abril.

O Facebook recebe muitas críticas quando o assunto é notícia falsa. Mas o WhatsApp não está fora do mundo das fake news de longo alcance.

A plataforma de mensagens, que atingiu 1 bilhão de usuários diários no ano passado, tornou-se uma grande fonte de desinformação, seja sobre decisões tomadas por associações de classe, seja sobre tempestades e crises meteorológicas. Como a plataforma é criptografada e os grupos de discussão são limitados a 256 pessoas, ninguém sabe ao certo quando ou onde o conteúdo se torna viral — nem mesmo o próprio WhatsApp.

Isso deixou extremamente difícil o trabalho dos checadores, diariamente convidados a atuar contra os boatos que circulam pelo WhatsApp. Mas, diante das dificuldades, surgiram algumas soluções alternativas e inovadoras capazes de abordar — ao menos parcialmente — esse problema.

O WhatsApp é popular entre os usuários de smartphones, mas também já começou a publicar e republicar manuais que buscam ensinar os usuários a verificar os boatos sozinhos, sem precisar usar sequer um computador.

Segue abaixo uma lista de dicas e melhores práticas para que plataformas de checagem e usuários de redes sociais possam descobrir e desmascarar notícias falsas que transitam no WhatsApp.


Dicas para checadores:

1

Se você puder, tenha uma conta institucional no WhatsApp para receber possíveis notícias falsas dos usuários. Forneça-lhes checagens relacionadas aos temas que os preocupa sempre que possível. Inspire-se em organizações como Chequeado, Boatos.org, Africa Check e La Silla Vacía. São plataformas que já oferecem esse serviço. Aos Fatos oferecerá em breve. Kate Wilkinson, pesquisadora sênior do Africa Check, ressalta: "Ao estabelecer essa conexão via WhatsApp, reduzimos a distância entre as mensagens recebidas e as checagens. Não é mais necessário ir à caixa de e-mail ou ao Twitter para nos contactar”.

2

Use sua conta no WhatsApp para desenvolver um relacionamento com seus leitores. Considere a criação de listas de usuários para as quais você pode enviar checagens regularmente. Esses leitores também podem encaminhar suas checagens para outras pessoas em seus próprios grupos privados, ampliando o impacto do seu trabalho.

3

Considere transformar suas verificações em imagens que possam ser distribuídas com links no WhatsApp. Isso torna seu trabalho mais compartilhável. Certifique-se apenas de incluir um marcador claro rotulando o conteúdo analisado como uma fraude.

4

Como imagens, memes e vídeos são alguns dos conteúdos mais populares do WhatsApp, use a versão para desktop da plataforma para receber possíveis hoaxes. Em seguida, use ferramentas digitais, como InVid e TinEye, além de outras de fluxo de trabalho, como a plataforma Trello e Check, para certificá-las ou desacreditá-las.

5

Para mensagens de voz, que estão se tornando cada vez mais fáceis de serem criadas no WhatsApp, considere o uso de um software de edição de áudio como o Descript. Ele é capaz de transcrevê-las (em alguns idiomas) e, em seguida, pesquisar por palavras-chave.

6

Isole os tópicos que parecem produzir mais desinformação, sejam eles política, tragédias em massa ou desastres naturais. Depois, faça com que sua equipe pesquise em seus vários grupos de WhatsApp para ver se alguém viu alguma informação questionável.

7

Altere levemente sua metodologia para incluir o fato de que, em plataformas de mensagens privadas, muitas vezes você não poderá entrar em contato com a fonte da desinformação. De Wilkinson: “Quando se trata do WhatsApp, é quase impossível rastrear a origem de uma informação falsa, então pule essa etapa. Pode ser um pouco complicado, é verdade. Especialmente se você estiver checando uma afirmação complexa, mas siga em frente”.

8

Seja razoável. Você está verificando informações que as pessoas compartilharam de boa fé — e não necessariamente declarações mal interpretadas dos políticos. Pense no tom usado ​​para desacreditá-las e para compartilhar as checagens com as pessoas que integram seu grupo oficial de WhatsApp.

9

Seja preciso nas recomendações que der aos usuários dessa plataforma. Muitos boatos tratam da segurança pessoal quando se refererem a temas como tempestades ou catástrofes. Por isso, certifique-se de desmascarar essas informações de forma que não faça as pessoas desconsiderarem todos os futuros avisos. “Você precisa ter cuidado ao dar alertas sobre o que fazer caso as pessoas achem que algo não é verdade, porque em alguns casos é uma questão de segurança pessoal e elas têm que tomar uma decisão sobre o que estão fazendo", diz Wilkinson.


Para usuários comuns:

1

Sempre seja cético. Não compartilhe algo a menos que você saiba que é verdade. A equipe de checagem do jornal Le Monde, Les Décodeurs, tem um ótimo guia sobre como ser um consumidor de redes sociais mais cauteloso.

2

Pesquise palavras-chave de mensagens suspeitas do WhatsApp. Você provavelmente verá que artigos checados aparecerem no alto dos resultados de pesquisa, ajudando a determinar a veracidade da mensagem.

3

Tente desmascarar notícias falsas usando ferramentas para dispositivos móveis, como a pesquisa de imagens reversa do Google, o TinEye e o Fake Image Detector. Aqui está um guia para usar os três. Para vídeos, tente capturar uma tela/frame e enviá-lo a uma dessas ferramentas.

4

Identifique a maneira mais fácil de contatar veículos de mídia e de checagem. Muitas vezes, se você entrar em contato direto com eles — por meio de uma mensagem ou de uma ligação — eles começarão a trabalhar sobre o conteúdo que você deseja verificar. Salve esses contatos em seu telefone para usá-los quando necessário.

5

Envie mensagens suspeitas, memes, fotos, vídeos ou gravações de voz que você recebeu para uma organização de verificação de fatos. Depois que a checagem for publicada, compartilhe o artigo no grupo original em que o conteúdo apareceu para você.

6

Verifique as contas de mídia social das instituições e empresas envolvidas na possível notícia falsa. Muitas vezes eles tentam desmenti-la.

Tem uma dica que não está lista? Envie para factchecknet@poynter.org.


Tradução: Bárbara Libório, do Aos Fatos
Revisão: Tai Nalon, do Aos Fatos, e Cristina Tardáguila e Douglas Silveira, da Agência Lupa